26.10.06

Das tristezas e alegrias do Mundo


A África profunda tornou-se a sua casa há cinco anos, quando decidiu deixar o Canadá e tornar-se jornalista freelancer da Reuters, com base em Kinshasa, capital da República Democrática do Congo. Passou dois anos a cobrir a área central do continente africano, desde a região dos grandes lagos, passando pelo Ruanda e pelo Níger, no ano passado. A 1 de Agosto de 2005, Finbarr O’Reilly, nascido em 1971 no País de Gales e com nacionalidade britânica e canadiana - onde viveu a maior parte da sua vida -, estava num centro de alimentação em Tahoua, no noroeste do Níger. Um enxame de gafanhotos e a seca deixaram mais de três milhões e meio de pessoas sem alimentação naquele país. No centro de refugiados, que acolhia 45 mil pessoas, O’Reilly observou um gesto de uma mãe, Fatou Ousseini, beijando os dedos do filho, Alassa Galisou, que pressionava a mão contra os lábios da mulher.

A imagem publicada pela Reuters acabou por ser a primeira premiada no concurso anual da World Press Photo (WPP). “A imagem tem tudo: beleza, horror e desespero”, referiu, na altura, James Colton, presidente do júri do WPP, que não escondeu ter ficado “assombrado” pela fotografia desde a primeira vez que a viu.
Esta será, com naturalidade, a imagem em destaque da exposição da WPP que passa novamente pela Maia a partir deste fim-de-semana. Este é o quinto ano consecutivo que o Fórum recebe a mais importante e prestigiada mostra do fotojornalismo mundial. Esta exposição itinerante é única no género e surge na sequência do concurso anual de fotojornalismo, promovido pela Fundação World Press Photo. A instituição sem fins lucrativos nasceu nos Países Baixos com o principal objectivo de promover a liberdade de imprensa em todo o mundo, “apoiando o fotojornalismo no desvendar e comunicar dos factos sem sujeição a qualquer tipo de censura”.

A exposição reúne, para lá dos trabalhos premiados, dezenas de fotografias que condensam a actualidade vivida no último ano e mostram o trabalho de alguns dos melhores repórteres fotográficos do mundo.
Tal como nos anos mais recentes, em simultâneo serão apresentados os trabalhos premiados com o 6º Prémio de Fotojornalismo atribuído pela revista “Visão”, que se destina a galardoar, anualmente, o que de melhor se produz em Portugal na área da reportagem fotográfica. O vencedor do prémio deste ano foi Pedro Correia, do Jornal de Notícias. A fotografia, a preto e branco, foi feita em Março de 2005, e mostra a comoção no funeral de um agente da PSP, morto na Amadora.

Exposição

A abertura da exposição ao público é às 15h00 do dia 29 de Outubro. Ficará de portas abertas até 19 de Novembro, entre as 15h00 e as 19h00 de domingo a sexta. Ao sábado, além do horário da tarde, estará ainda disponível entre as 21h00 e as 23h00.
A entrada custa três euros para o público em geral, dois euros para portadores do Cartão Jovem e grátis para jornalistas, maiores de 65 anos e menores de 12 anos.

(Foto: Finbarr O'Reilly, Reuters)

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